quarta-feira, 13 de junho de 2018

Felicidade barata!

 Resultado de imagem para Felicidade




Felicidade barata!

Quem quer comprar?
É mais do que barata. Não custa nada!
Palavras! Palavras! Palavras!
Só saem da boca, fruto de mentes vazias.
Prometem negócios de efeito.
Multiplicadas,
Acumuladas,
Desperdiçadas
Gritadas.
Como fazem falta as palavras de amor
Só sussurradas!
Ou mesmo “faladas”, silenciosamente,
Na ternura do olhar solidário
Penetrante,
Aconchegante!
Ou no gesto concreto do abraço unitivo,
Expressão carinhosa do amor-compreensão!
Não! São externadas
As que bombardeiam falsas mensagens,
As que desenham sonhos e projetam miragens,
Vendendo barato inúmeras ilusões.
Prometem! Prometem! Prometem!
Pão para todos, felicidade para todos, bem-estar,
Alto astral, diversão...
Tudo muito barato!
Felicidade vendida a preço muito barato .
Até com palavras baratas.--
Quem quer comprar?
Pague! Rápido! É barato mesmo! Sem perda de tempo!
Antes que alguém abra seus olhos
E você enxergue – antes tarde que nunca! –
Toda a má fé, todo engano e toda a ilusão!


Frei Pierino Orlandini

quarta-feira, 28 de março de 2012

O ROCHEDO



Dai-me, Senhor, a perseverança das ondas do mar, que fazem de cada recuo um ponto de partida para um novo avanço” 
(Gabriela Mistral).



Batem as ondas
no majestoso ROCHEDO
às vezes furiosas, às vezes tranqüilas,
sempre, sempre insistentes.
Não recusa o rochedo
o beijo quente e espumoso das ondas,
o férvido abraço das ondas
acalentadas pelo sol,
embaladas pelo vento.
É acolhedor o rochedo.
Não rejeita tampouco o rochedo
a prepotência veemente
a corrida barulhenta e raivosa,
a agressão confusa e violenta das ondas.
Fica imóvel o rochedo.
Penso na ROCHA,
no vaivém diferente de nossa existência,
na consistência da Rocha,
na inconsistência das ondas,
na volta das ondas ao mar, volta pacífica e calma.
Penso nas ondas, na vida,
no mar, no Rochedo que salva,
na luta, na paz.
É fiel o Rochedo
que promove o encontro tranqüilo
das ondas do mar!
Frei Pierino Orlandini

Simples mulher





Humilde e pobre é meu canto
para glorificar-te;
pobres minhas palavras
para louvar-te e definir-te,
mulher,
misteriosa e bem-aventurada
realidade da vida!
Rico é o silêncio
para deixar insondável e intacto
o inefável mistério que tu és,
e aureolar-te da glória
que Deus quis para ti
ao fazer-te da VIDA presente,
sacrário e nascente!

Tu és o presente de Deus,
a face brilhante do amor.
Por ti, bondade-mulher,
por ti, ternura-mulher,
por ti, força-mulher,
por ti, vida-mulher,
por ti, virgem-mulher,
por ti, mãe-mulher,
por ti, SIMPLES MULHER,
o homem é homem,
a humanidade existe,
a ETERNIDADE se encarna no tempo,
pois um Deus em ti se faz homem.
Com tua beleza de virgem,
mulher,
com tua beleza de mãe,
mulher,
com tua beleza,
simples mulher,
tu bates com toda a tua força
no coração do homem
e o abres ao amor.

Eu não sei dizer
o que tu és perfeitamente,
mulher.
Sei que se existo,
existo porque tu existes
como instrumento escolhido por Deus.
E isso me basta
para dizer-te meu eterno “OBRIGADO”
e sempre agradecer
o Senhor que te fez.


Frei Pierino Orlandini

VOAR




Ó BELEZA Infinita,
sempre clara e sempre viva,
sem limites, nem circunscrita,
sempre antiga e sempre nova,
sempre outra!
Ultrapasso os espaços
ao sopro do Vento,
voando
nas asas do Espírito,
transpondo limites.
Esta Imensa Beleza,
cativante Beleza sem fim,cria em mim asas:
Invisíveis, misteriosas asas...
que quebram barreiras,
rasgam os medos,
sem calcular precipícios,
num vôo livre e audacioso e impossível.
Mas nada é impossível!...-
E, assim, a Eternidade faz-se presente no tempo,
no espaço tão angusto, tão breve da história
do ser tão limitado!
“Olhos ao Alto e voe ! E, do Alto, perscrute!”
- eu sinto, eu escuto -.
Embaixo,
além e fora de si,
os homens circulam, caminham, labutam...
em busca do Outro.
E o Outro, absolutamente Outro,
Majestade Infinita, o Altíssimo,
“Deus-Conosco”, feito carne, -quem diria?-
vive nos outros: pequenos, carentes,
famintos,sedentos, abandonados, desfigurados,
deixados à margem, deixados de lado, jogados...
e nos outros se esconde.
Assim, simplesmente, misteriosamente,
como no Sacramento,
Cristo vivo neles se torna presente.
Neles – ó difícil Beleza escondida e presente de sempre! -
está o precipício que é preciso transpor.
Só é possível esse vôo,
vôo livre, voando,
carregados pelas asas do Amor.


“Existir hoje é deixar-se guiar pela Beleza, mesmo quando o guiará na orla do precipício e, embora ela tenha asas e você não e ela ultrapassará o precipício ,siga-a, porque onde não existe Beleza, nada existe” (Kahlil Gibran)